Mell

Mell

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Uma tarde Feliz

Assim como minha vida, meus textos são incoerente uns com os outros. Se escrevo sobre alegria e felicidade, em alguns minutos posso estar mergulhado na mais profunda tristeza e agonia. Meus textos não seguem um padrão - minha vida não é sempre a mesma todos os dias. Não me vejo num caminho reto. As estradas de minhas histórias é repleta de curvas e bifurcações. Tomo atitudes por impulso, e quando penso que poderia ter feito algo diferente já é um pouco tarde. Foi assim quando comprei os CDs do Green Day, foi assim quando cortei meu cabelo comprido, foi assim quando decidi mudar os planos para o futuro, e vai ser sempre assim. Minhas atitudes só dão certo aos tropeços e empurrões desengraçados da vida. Mas não pense que me arrependo de algumas decisões que tomei por impulso, não. Não me arrependo de absolutamente nada que fiz. Minhas atitudes apenas provam quem está no controle da minha vida. O problema é que todas as decisões que tomamos sempre envolvemos pessoas: algumas queridas, outras nem tanto. Essas pessoas nem sempre reagem como a gente gostaria às nossas decisões, e isso, às vezes, é lamentável.
Não digo que tenho erros em meu passado, prefiro pensar que tomei apenas um atalho mais rápido. Mas que sempre, de uma maneira ou de outra, sempre iria chegar no mesmo lugar. Nada que façamos de diferente influirá nas decisões alheias. Nada. Somos todos independentes, nas escolhas e nos fracassos. Não devemos culpar ninguém por nossa própria desgraça. Passamos a vida inteira cavando nossa cova, ninguém a cava por nós. Devemos assumir que nem todos nossos caminhos são os mais coesos com a situação. É importante assumir que às vezes tomamos um atalho errado, e ficamos perdidos.
◇  Wallacy Wagmacker

Gente qe acorda bem-humorada demais me irrita. São insuportáveis os que mantém uma rotina de sono diferente da minha. Por esse ponto de vista, todos são insuportáveis. É complicado me explicar, mas simplesmente não me agradam os sorrisos matinais. Minha disposição não vem com o nascer do sol. Meu ânimo demora para me encontrar — geralmente, só estou totalmente disposto depois do meio-dia. Eu não tomo café. Nem gosto e nem tem o mesmo efeito comigo em relação aos demais. Uma xícara de café é suficiente para qualquer pessoa “normal” exibir um sorriso no rosto e uma animação de artista circense. Café não me desperta. Pelo contrário, me dá ainda mais sono. O caldo escuro e fumegante pesa minhas pálpebras e instiga meus bocejos. Vez ou outra, minto para mim mesmo que meu paladar exigente não tem fundamento algum, e sigo os conselhos dos demais para me livrar da preguiça das primeiras horas do dia. Convenço-me que a solução dos problemas alheios servirá para mim. Mas o que sempre acontece é o repúdio e o nojo, o céu da boca se comprime e toca a língua amargada pela bebida, que se contorce em aflição. Café, definitivamente, não me ajuda com a indisposição. Suporto meu sono quieto e sem reclamar. Atravesso a manhã desanimada, mas esperançoso por uma tarde melhor. Vou almoçar, e aí sim, ficarei bem. Tudo que preciso para me adequar a uma nova realidade é de tempo. Não é uma tarefa fácil, mas não aprendi a fazê-la de outra maneira.

Acordar é deprimente, tanto quanto viver. Sou tomado pela indignação — e conseqüentemente pelo sarcasmo — quando vejo um sorriso de alguém ao dizer saber como resolver meus problemas ou minhas questões mal resolvidas nos relacionamentos. É angustiante ouvir um “tudo vai ficar bem” ou “você vai sair dessa”. Penso comigo: “você saiu dessa e isso é tudo, não tem nada a ver comigo”. Pessoas tem um mal-costume horrível de generalizar as coisas. Nem tudo que é parecido é igual. Detesto comparações idiotas. Assim como café, as soluções dos problemas das outras pessoas geralmente não se aplicam a mim. Não me resolve, pelo menos. Ouço a experiência de alguém próximo, que diz ter vivido algo parecido com a minha situação, mas seus métodos não surtem o mesmo efeito comigo. Empenho-me em aceitar opiniões e propostas, das mais desesperadas às mais singelas, mas minhas angústias parecem se fortalecer com minhas decisões inconseqüentes. Nem sempre as pessoas dão conselhos pensando em nos ajudar. Pode ser que simplesmente não nos aguentam nos ver abatidos ou tristes, e fazem especulações fantasiosas e desesperadas numa tentativa frustrada de resolver nosso problema. Aconselhar outras pessoas com outros problemas é muito fácil. Difícil é viver cada uma de nossas palavras. O café não cura minha preguiça, e os conselhos não resolvem meus lamentos. Mal posso esperar por um meio-dia em minha vida. Quero logo aproveitar uma tarde feliz, sem preguiça e sem tristeza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário